ChatGPT Ads: o que dois cases reais revelam sobre o novo canal (Comitê #8)
Por Enableurs ·
Por que algumas empresas ainda estão tentando aparecer nas respostas do ChatGPT, enquanto outras já estão aprendendo a transformar esse canal em vantagem competitiva?
Essa foi a pergunta que abriu o Comitê #8 da comunidade Marketing com AI, dedicado inteiramente a um tema que já não dá mais para ignorar: ChatGPT Ads (também chamado de GPTAds ou OpenAI Ads).
Reunimos três perspectivas complementares sobre o mesmo canal: a estrutura de dados que precisa existir antes de qualquer campanha, o case de uma empresa que testou e desligou a campanha, e o case de uma empresa que está usando o canal como laboratório de aprendizado antes da concorrência.
Este artigo consolida os três pontos de vista — com números reais e sem filtro. 📹 Assista à gravação completa do Comitê abaixo.
https://youtu.be/25RWRGsJSi0?si=DjbPWtETsNUWU8WY
Então vamos às campanhas… não! O primeiro passo é o tracking
Antes de falar sobre criativos, orçamento ou segmentação, Mislene Silva, COO da Enableurs, trouxe o ponto que normalmente é pulado: se o tracking não é confiável, a performance também não é.
Cliques e impressões mostram a entrega da mídia. Conversões mostram o resultado gerado. Sem uma estrutura de mensuração confiável entre esses dois pontos, qualquer decisão sobre o canal — continuar, escalar ou desligar — é baseada em dado incompleto.
A boa notícia: configurar o tracking do ChatGPT Ads segue a mesma lógica de qualquer outra plataforma de mídia paga.
A infraestrutura mínima de mensuração
Web / Pixel — Site → GTM Web → OpenAI Ads Pixel → eventos page_viewed e lead_created. A OpenAI já disponibiliza um template oficial de tag dentro do próprio GTM, parecido com o do Meta Ads.
Server / CAPI — sGTM (servidor) → Conversions API → OpenAI Ads → lead_created. Aqui está o primeiro ponto de atenção real: ainda não existe um template oficial da OpenAI para o lado servidor. A Stape (ferramenta usada para hospedar o servidor do GTM) já disponibiliza um modelo próprio de tag para a API de conversão da OpenAI, o que resolve o problema — mas vale deixar claro para o time que esse não é um template first-party.
O mesmo event_id deve ser enviado nos dois envios (web e server) para garantir a deduplicação — sem isso, uma única conversão pode ser contabilizada duas ou três vezes dentro das campanhas.
Checklist antes de publicar qualquer campanha
Sobre integração nativa com CRM (HubSpot e similares): ainda não existe otimização nativa de campanha a partir de dados do CRM. Hoje, atribuição mais robusta exige um webhook próprio disparando do CRM para o servidor, que então dispara para a campanha. A expectativa é que a Stape lance um aplicativo nativo da OpenAI em breve, já que é ela quem está construindo o modelo de tag do lado servidor.

Com essa base resolvida, a pergunta que sobra é: como desenhar um teste que realmente gere aprendizado? Os dois cases a seguir respondem isso a partir de contextos bem diferentes.
Case 1: quando os números dizem para desligar a campanha
Marina Pagliari, que lidera GTM e adoção de produto em uma empresa americana de Professional Services Automation (SaaS B2B, ticket alto, ciclo de vendas complexo), testou o ChatGPT Ads por curiosidade e posicionamento de marca — sem a estrutura de tracking ideal que Mislene descreveu, o que ela própria fez questão de destacar: "façam o que eu digo, não façam o que eu faço."
O teste: 26/06 a 18/08/2026 (53 dias), com público automático e contexto predefinido — a plataforma não permite negativação de palavras nem busca por frase exata como o Google Ads, então o controle sobre quem vê o anúncio é bem mais limitado.
O resultado, no recorte dos 30 dias antes do desligamento:

O CPC do ChatGPT Ads (US$ 4-5) até saiu mais barato que o do LinkedIn Ads (~US$ 16) e do Google Ads (~US$ 120, canal disputado para essa empresa). Mas o tráfego não se comportou como tráfego qualificado: o tempo médio no site foi de 7 segundos, contra quase um minuto nos outros dois canais — e nenhum clique virou trial em 53 dias.
Por que desligaram:
- Falta de controle sobre keywords
- Falta de visibilidade sobre a conversa que gerou o clique
- Nenhum clique convertido em trial
- Custo alto quando comparado ao resultado gerado nos outros canais
O que ficou de aprendizado:
- Considerar o canal como topo de funil, não como geração de lead direta
- Ter orçamento de teste disponível separado do orçamento operacional pode ser decisivo para a decisão de continuar ou não
- Não tratar como canal substituto — e sim complementar aos que já funcionam
O resumo de Marina para quem está decidindo testar: "não sejam nem otimistas demais, nem pessimistas demais. Testem, aprendam, façam o tracking direitinho — mas não prejudiquem outros canais que são importantes para a receita da empresa neste primeiro momento."
Case 2: Globalfy — aprender antes da concorrência
Francis Simanke, da Globalfy (SaaS com camada de serviço que ajuda founders internacionais a abrir empresas nos Estados Unidos), trouxe um contexto diferente: a empresa já é boa em captar demanda existente — o desafio agora é gerar e educar demanda nova, e foi exatamente aí que o ChatGPT Ads entrou.
A tese não era "ChatGPT Ads é melhor que Google Ads?" — e sim "como interpretamos os primeiros sinais de um canal onde ainda não temos histórico?"
O contexto que tornou o teste mais desafiador:
- Sem histórico próprio de CTR, CPC, conversão ou qualidade
- Ferramenta ainda em estágio early-stage, sem os mesmos benchmarks de Google e Meta
- Poucos mercados disponíveis no início (o teste começou em mercados que não eram prioritários para a empresa: Oceania e Reino Unido)
- Política de anúncios impactou a operação: termos como "LLC" precisaram ser substituídos por linguagem mais inspiracional (de "abra sua LLC nos Estados Unidos" para "expanda seu negócio nos Estados Unidos"), já que o serviço concorre diretamente com processos que a pessoa poderia fazer direto com o governo
- Não existe playbook pronto — é necessário construir o próprio, testando
Os números (junho a agosto de 2026):
Por mercado:

O CPC ficou competitivo em relação ao Google Ads (que, para a Globalfy, é bem mais caro em mercados como Reino Unido, onde o CPC de uma palavra gira em torno de US$ 20). O alcance e o interesse gerados superaram as expectativas iniciais. Mas o funil ainda não fechou: geraram oportunidades, mas nenhuma venda ainda — muito porque os primeiros mercados liberados não eram o ICP prioritário da empresa, e o mercado principal (Brasil) só entrou depois, sofrendo o mesmo impacto de política de anúncios.
A nova lógica de experimentação para a próxima fase, nas palavras de Francis, não é sobre aumentar CTR ou reduzir CPC — é entender quais contextos e mensagens conseguem gerar e educar demanda:
Clique → Interesse → Contexto → Mensagem compatível com política → Qualidade (Lead → MQL → SQL → Venda)
O recado final de Francis para quem está avaliando o canal: "GPTAds ainda é um território em construção. Testem, documentem e validem antes de tirar conclusões."
Os dois cases lado a lado
A diferença entre "desligar" e "continuar testando" não foi o canal em si — foi o contexto de cada negócio: orçamento disponível para teste, ciclo de vendas, tier de mercado testado e o quanto cada empresa já dependia daquele resultado no curto prazo.
O que fica claro depois desses dois testes
- Tracking primeiro, campanha depois. Sem isso, nenhuma das duas conclusões acima seria confiável.
- ChatGPT Ads hoje se comporta mais como topo de funil do que como canal de geração direta de lead — o contexto é amplo, não dá para negativar palavra nem restringir por frase exata como no Google Ads.
- O orçamento de teste importa tanto quanto o canal. As duas empresas trataram o investimento como dinheiro de aprendizado, não como meta de performance — e isso muda a régua de decisão.
- Política de anúncios pega quem já sofre com isso em outras plataformas. Setores regulados (jurídico, saúde, serviços financeiros, abertura de empresa) devem esperar o mesmo tipo de restrição que já enfrentam no Google Ads.
- Não existe playbook pronto ainda. Isso é uma vantagem para quem testa agora: quem aprender cedo entende o canal antes da concorrência.
Perguntas frequentes sobre ChatGPT Ads
O que é ChatGPT Ads (GPTAds)?
É a plataforma de anúncios da OpenAI, que permite exibir anúncios dentro das respostas do ChatGPT. Também é chamada de OpenAI Ads. Funciona com lógica parecida à de Meta Ads e Google Ads — pixel, eventos de conversão, orçamento diário — mas com segmentação por contexto de conversa em vez de palavra-chave ou público demográfico tradicional.
Como configurar o tracking do ChatGPT Ads?
A estrutura mínima envolve um pixel configurado via GTM Web (usando o template oficial da OpenAI) e, idealmente, uma camada server-side via Conversions API — hoje viabilizada por um template não oficial da Stape, já que a OpenAI ainda não lançou um template first-party para o lado servidor. O mesmo event_id deve ser enviado nos dois envios para evitar duplicação de conversões.
ChatGPT Ads vale a pena para empresas B2B?
Depende do momento da empresa. Nos dois cases discutidos, o canal se mostrou mais eficiente como topo de funil — gerando alcance e interesse a um CPC competitivo — do que como fonte direta de leads qualificados. Empresas com ciclo de vendas curto e verba de teste disponível tendem a aprender mais rápido do que empresas que precisam de resultado de fundo de funil no curto prazo.
Qual o CPC médio do ChatGPT Ads?
Nos dois cases apresentados, o CPC médio ficou entre US$ 1,76 e US$ 4,62, dependendo do mercado e do segmento. Ainda não há benchmarks de mercado consolidados, já que o canal está em estágio early-stage — cada empresa está construindo sua própria referência.
ChatGPT Ads pode substituir Google Ads ou Meta Ads?
Depende da sua estratégia. Mas você pode tratar o canal como complementar, não substituto — mantendo o orçamento principal nos canais que já geram resultado e reservando um orçamento de teste separado para o ChatGPT Ads.
Este artigo reúne os aprendizados compartilhados por Mislene Silva (Enableurs), Marina Pagliari (ruddr) e Francis Simanke (Globalfy) no Comitê #8 da comunidade Marketing com AI. Quer participar dos próximos encontros?
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